Visão na Infância: a partir da minha história, escrevendo um futuro diferente.

Felicidade sem fim ver a Ceci tentando se equilibrar em pé, louca para sair andando. 

Olá! Meu nome é Maria Amélia Franco, sou comunicadora e autora do Visão na Infância, um espaço inspirado na experiência com minha filha Ceci.

Se você, como mãe ou pai, ou até mesmo no papel de avós, tios, padrinhos ou professor, já se questionou

  • quando é o momento certo de levar a criança para acompanhamento do oftalmopediatra?
  • como posso reconhecer algum problema na visão desde o nascimento?
  • os olhos desalinhados (estrabismo) afetam a saúde dos olhos, ou são apenas uma característica estética?
  • se é possível melhorar a visão de uma criança com deficiência visual?
  • como faço para estimular os pequenos para que se fixem e realizem os exercícios oculares?
  • como evitar ou amenizar constrangimentos e saber lidar com olhares, observações e opiniões de colegas, familiares e estranhos em relação à deficiência visual e ao uso do tampão na infância?

… entre outros questionamentos sobre a saúde dos olhos do bebê e o desenvolvimento das funções visuais, este blog é dedicado a você!

Quando iniciei o tratamento do problema de visão da Ceci com a Dra. Cláudia Dettmer – oftalmopediatra competentíssima e excepcional em sua missão – percebi que havia pouca informação de qualidade e de fácil compreensão sobre o assunto.

Questionava amigas e acompanhava grupos de mães nas redes sociais e pude notar como era ainda mais escassa a oferta de recursos online para orientar sobre estimulação visual para crianças. [Essa carência existe para pessoas de vários cantos do país e do mundo? – pensava.]

Tive medo de errar, mas um desejo maior de acertar!

Apesar das dificuldades, tive a graça de conhecer pessoas especiais e generosas que me ensinaram o caminho. Obrigada, Darlene Dias Matos Kloster e Suellen Talita Figueiró Polati!

Assim, experimentei um resultado extraordinário com a minha filha, com exercícios lúdicos de estimulação visual, que não tomam mais que 1h. E muito mais que exercícios para os olhos, são atividades de aprendizagem para o desenvolvimento motor e cognitivo da criança.

Por isso, neste espaço, vou contar como você pode ajudar seu filho a desenvolver a visão deficiente. Você vai notar quanto melhor a criança enxerga, mais ativa, autônoma e feliz ela fica.

O blog Visão na Infância traz informações sobre as principais doenças relacionadas à baixa visão; orientações para observância da capacidade de visão e o acompanhamento oftalmológico.

Além disso, aqui você vai encontrar dicas de como desenvolver em casa as atividades de estimulação visual para cada necessidade, proposta de materiais e kits lúdicos a utilizar.

Como mãe, mais que ter medo de errar, tenho o desejo de acertar, de saber prevenir e agir em tempo para garantir sempre a saúde e segurança da minha filha.

E se você também pensa e age assim, se preocupa com a saúde, a qualidade de vida, a autoestima e o bem-estar de quem ama, acompanhe os posts, coloque em prática as atividades e compartilhe suas experiências!

Brincadeiras enquanto usa oclusor

Hora de tampão com brincadeiras que estimulam a coordenação visomotora. 

Como tudo começou

De repente minhas dificuldades e minhas escolhas me trouxeram até aqui. Não foi tão simples assim…

Sou a terceira filha, de uma família de quatro irmãs. Quando nasci, minha mãe quase morreu por complicações pós-parto. A maior preocupação comigo era o pé levemente torto, que com a fisioterapia logo voltou ao normal.

Nos meus primeiros anos de vida, nenhum problema de visão foi notado. Entre as infinitas atribulações e preocupações de pais, quando já não era mais um bebê, um certo momento as queixas de dores de cabeça serviram como alerta para uma visita ao oftalmologista. Precisava usar óculos.

Nada se falou sobre o leve estrabismo, ou a dificuldade de convergência, ou a elevada diferença de grau de um olho para o outro (que exigiria o uso de tampão, e que não foi recomendado na época.

Também não houve didática ao estímulo para uso daqueles estranhos e incômodos acessórios: os óculos, que não imaginava no futuro poderem se tornar uma de minhas paixões.

O aprendizado sempre dedicado. As tardes de estudo sempre exaustivas. Muitas dores de cabeça. Meu pai dizia que eu não usava os óculos direito… Confesso que eles nunca estavam realmente ajustados para mim. Com ou sem eles, sempre achei que não enxergava muito bem.

Muitos anos depois, descobri que tinha o olho esquerdo amblíope. Mas o que é isso? O olho não desenvolveu o seu potencial máximo de visão e “ficou preguiçoso”. No meu caso, eu vejo apenas vultos com ele.

Ou seja, eu perdi a qualidade da minha visão, perdi profundidade… tenho restrição de direção na minha carteira de motorista e não tenho a mesma acomodação visual ao assistir um filme 3D.

Ok! Isso não me torna uma barbeira no trânsito! Mas ao passo que fui entendendo essas limitações, compreendi por que raspava a lateral do carro sempre no mesmo lado e no mesmo lugar (rsrsrs).

Entendi as dificuldades que tinha nas aulas de educação física na época do colégio, por exemplo, quando de repente a bola aparecia e nem notava de onde tinha vindo… não culpo agora minhas amigas por nem sempre me escolherem em seus times…

Comunicar, informar:  está no meu DNA

Avançando um pouco na história…

Na fase preparatória para o vestibular, me dediquei para passar em Medicina. Apesar de ser mais um sonho do meu pai, de alguma forma me interessava a área de saúde. Na última hora, por inspiração Divina, optei pela publicidade. Formei-me em comunicação social, mas me casei com médico (rsrsrs).

O problema de visão deu conta da segregação natural das coisas: eu era uma publicitária nerd, sentada próxima ao quadro para tomar notas, enquanto os descolados estavam no fundo da sala…

Tudo bem. Direcionei minha carreira para o segmento corporativo e percebi como a Comunicação é indispensável no processo de conscientização e melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Na minha trajetória, tive a oportunidade de desenvolver um trabalho de fomento à informação sobre segurança no trânsito e mobilidade urbana, diante do crítico quadro da violência viária que afeta a saúde pública brasileira.

Conheci pessoas maravilhosas no meu caminho, que uniram meu amor pela comunicação e marketing ao tema da acessibilidade, da mobilidade e do trânsito. Logo, logo este trabalho vai estar relacionado a tudo isso, imagino eu…

Bem, após quinze anos, eu decidi parar para me dedicar à Ceci. Era um desejo imenso de estar próxima à família e de acompanhar sua evolução!

Kit para estimulação visual

Meu primeiro kit de atividades para estimulação visual: jogo de encaixe de mamãe animais e seus filhotes; uma garrafa plástica; uma caixinha com bolas coloridas e bichinhos de borracha; palitos com animais de papelão e dedoches dos 3 porquinhos na ponta; um potinho com sagu e tábuas com furos para transpassar cadarço.

O primeiro kit a gente nunca esquece

Sabendo do meu histórico, desde os primeiros meses, Ceci realizava visitas periódicas ao oftalmologista.

Com pouco mais de 1 ano e meio eu notei os olhos dela descompensarem (ela olhava para uma direção e um dos olhos não acompanhava). Entendi que minha missão começava ali. Queria que com ela fosse diferente!

“Mamãe, que bom que você notou cedo. Vamos começar já o tratamento. Faremos o uso do tampão todos os dias, por duas horas, cada dia um olho. E exercícios de estimulação visual ao menos duas vezes na semana”, orientou a oftalmopediatra. E me indicou uma profissional que realizaria as sessões de forma lúdica.

O desafio inicial já foi um empurrão para criar este Blog: o agendamento da sessão era complicadíssimo! Muitas crianças com problemas de baixa visão e poucos profissionais indicados com disponibilidade.

Notei desde o primeiro momento o desejo da Darlene em triplicar as horas do dia para que em sua atribulada agenda toda criança pudesse ser atendida. Ela foi o primeiro anjo que cuidou da Ceci e que me ensinou os passos iniciais para desenvolver a visão dela.

Dicas compartilhadas com uma generosidade singular!

Como eu mesma acabei realizando as sessões complementares, logo entendi que o resultado dependia do trabalho continuado em casa. Ela me emprestou seu material pedagógico, orientou-me como fazer outros em casa e confiou que eu seria capaz da missão. Uma coisa era certa: eu não poderia deixar de estimular os pequenos olhos de Ceci.

Meu primeiro kit de atividades foi para mim um orgulho, pois sempre “tive duas mãos esquerdas” e minha coordenação motora fina é terrível! Reuni peças de um jogo de quebra-cabeças, colei figuras em palitos, usei uma lanterna, bolinhas, garrafinha pet e feijão.

Agora, noto como era simples… Por isso, quero encorajar outros pais a fazerem o mesmo!

Estimulação visual com recipientes

Concentração para fazer bonito da hora da estimulação visual. 

A vida é feita de escolhas. E aqui estou!

Em 2015, conheci aqui em Curitiba o CRAID (Centro Regional de Atendimento Integrado ao Deficiente) e, em especial, o trabalho da pedagoga Suellen Polati, que me encantou com sua criatividade, didática, dedicação e senso de responsabilidade com a melhoria da visão de seus alunos.

Ela foi minha segunda inspiração para este Blog e é coautora do Visão na Infância.

Também houve um grande incentivo de uma querida amiga e oftalmologista, a Flávia. Ela me trouxe paz e segurança quando tirou minhas dúvidas e revisou meus textos. Além de tudo, ainda emprestou seu livros, que agora estão em minha estante.

Enfim, este projeto reúne a minha paixão pela comunicação, a vontade de escrever, de dar continuidade a um trabalho de fomento à informação e esclarecimento à sociedade (uma forma de me sentir útil realizando meu trabalho) e a necessidade de realizar algo novo no meu portfólio.

Aqui estou!

Ceci desenvolveu bem a visão, e mais que isso, suas capacidades cognitiva e motora que me orgulham muito. O tempo dedicado com a estimulação, é um tempo que ganhamos juntas, que a ajudo a ir além dos seus limites. O nosso trabalho em casa continua, e por aqui é só começo…


Vale a pena!

Acredite, você também pode.

O desenvolvimento da visão é um processo longo, mas gradualmente você vai notar, além da melhora no tratamento, ganhos na relação com seu filho, e no seu desenvolvimento motor e cognitivo.

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