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Eu fiquei de queixo caído quando uma amiga me contou como era feito o exame de vista do seu filho. Um exame oftalmopediátrico considera pelo menos dez etapas, mas a médica conduzia a consulta conforme a rotina que adotava para seus pacientes adultos!
Em minhas pesquisas para o blog notei que esse não é um caso isolado. Por isso, é justo que você conheça quais passos mínimos deve seguir uma consulta oftalmológica na infância.
O ideal seria poder contar sempre com um especialista em oftalmologia pediátrica. Mas, a SBOP (Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica) sugere que o “oftalmologista geral” e até mesmo o pediatra – com alguns equipamentos e objetos específicos – poderiam fazer uma avaliação consistente. E, no caso de ser verificada alguma alteração ocular, a criança seria encaminhada ao serviço oftalmológico de referência. Essa é a recomendação da Dra. Rosane da Cruz Ferreira, Mestre em Oftalmologia e Doutora em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, que exerceu o cargo de presidente da SBOP entre 2005 e 2007.
O que se considera, claro, é que a distribuição de oftalmologistas não é igualitária em todo o país, pelo contrário, 97% atuam em cidades com mais de 40 mil habitantes.
Você está inseguro se o exame de vista feito com o seu filho está correto?
Calma, compartilharei a experiência com a minha filha Cecília e minha afilhada desde as suas primeiras consultas com a Dra. Cláudia Cabral Dettmer, que acabou se tornando uma grande amiga e apoiadora do blog.
O exame de vista segue um roteiro completo e depende da maestria do médico durante a avaliação oftalmológica. Já ouvi diversos relatos de pais cujos filhos “não colaboram” na hora e ficam sem um exame adequado.
Por isso, o atendimento no horário é essencial, assim como o planejamento dos pais ao saírem com a criança de casa. Já imaginou, crianças agitadas, cansadas e/ou com fome durante o exame de vista? Nãoooo!
Check-list do exame de vista: as 10 etapas recomendadas pela SBOP
Na consulta, o médico observa a saúde ocular a partir de um exame clínico e da avaliação da função visual, ou seja, de como o olho funciona. Não há uma regra por qual começar. Alguns profissionais iniciam pelas etapas que consideram mais simples e divertidas, para incentivar a criança.
Mesmo assim, às vezes o choro é inevitável. O bom especialista já sabe lidar com essas situações!

Anamnese
É uma breve entrevista que o médico realiza para obter dados sobre o paciente, a gestação, o parto e a ocorrência na família de problemas visuais. Nessa conversa ele verifica também se há alguma queixa, se são observados comportamentos ou dificuldade atípicos para a idade e que possam estar relacionados a algum défice visual.
Além de ajudar na avaliação na hora de realizar o exame de vista, esse momento é importante para a criança se acostumar com o ambiente e com o oftalmologista.

Medida de acuidade visual
Na infância, há diferentes formas de medir a capacidade de resolução da visão para distinguir objetos e pessoas. O médico opta pelo tipo de teste de acordo com a idade da criança, as aptidões do paciente para cooperar e informar sobre o que vê e sua própria habilidade para aplicar o exame.
Os mais comuns são: Cartões de Acuidade de Teller® (CAT) – usa um conjunto de cartões com listras contrastantes que permitem avaliar a acuidade visual através da percepção da direção do olhar; Tabela de optotipos – com figuras facilmente identificadas; Tabela de Snellen – dependendo do nível de alfabetização, usa-se o teste da direção do “E” ou a tabela com letras/números.

Exame de refração
Conhecido também por retinoscopia, nesse exame a criança usa um “colírio” (cicloplegia) que inibe o movimento de acomodação dos olhos e, então, o oftalmologista pode checar o grau de refração com o uso de um retinoscópio. Ele acompanha como o feixe luminoso no fundo do olho é refletido conforme ele testa lentes de distintos graus diante dos olhos. Assim, é possível saber se há problemas refrativos como miopia, astigmatismo e hipermetropia e calcular o grau para uso de óculos.

Fundoscopia ou Oftalmoscopia
Com a pupila dilatada, ao incidir a luz do oftalmoscópio é possível verificar a transparência dos meios intraoculares. O aparelho mostra o fundo do olho, em especial a região central da retina, os vasos retinianos e o nervo óptico, e permite diagnosticar patologias como a retinopatia da prematuridade e o retinoblastoma, entre outras.
Tem muito mais exames oftalmológicos...
Minha filha Cecília fez ainda, com os exames de rotina, o teste de percepção das cores (Teste de Ishirara – teste para Daltonismo), a avaliação do Ponto Próximo de Convergência e faz o de Estereopsia, que demonstra a capacidade de visão em profundidade (3D). Este último, é essencial nos casos de ambliopia e estrabismo, que impactam no desenvolvimento de uma boa estereopsia.
Tem mais! Além desses, há diversos exames oftalmológicos que podem ser realizados a partir de uma avaliação preliminar ou do histórico do paciente. A SBOP alerta para a necessidade de se realizar na consulta a Tonometria – que verifica a pressão intraocular – se houver qualquer suspeita de glaucoma, por exemplo.


Saiba em primeira mão
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Exame de vista tem periodicidade. E não é bem como falam por aí...
Tão importante quanto um exame de vista rigoroso é seguir à risca a periodicidade recomendada de consultas.
Entendo ser necessário um acompanhamento contínuo e preventivo. Só assim é possível intervir em tempo no caso de alguma alteração ocular que possa prejudicar o desenvolvimento da visão e impedir que a criança enxergue com qualidade ou, até mesmo, possa ver.
Porém, diferente do que se lê por aí, não apresentarei aqui de forma resumida a frequência recomendada. A criança, o histórico gestacional e de sua família são únicos, e isso deve ser considerado. Por isso, fiz um post completo só sobre esse tema para você! Acesse o link.
7 passos para um acompanhamento oftalmológico nota 10
- Consultar o oftalmologista, ou ao menos fazer exame de vista com o pediatra, a partir dos seis meses de idade (mas os pais podem perceber algum problema antes e devem logo levar ao especialista). Ao menos o pediatra deve realizar o exame externo dos olhos, a inspeção das pupilas, a medida de acuidade visual, o exame de motilidade ocular e o teste do reflexo vermelho (teste do olhinho) com o oftalmoscópio.
- Planejamento dos pais antes de sair: se a criança está com fome, frio ou calor ou agitada antes mesmo de chegar ao consultório, você pode imaginar que a consulta não será fácil…
- Recepção amigável ajuda a criar um bom clima para a bateria de exames que há por vir.
- Pontualidade com criança é sempre bom, assim não atrapalha ainda mais sua rotina com ela. Confirme como está a agenda e chegue no horário!
- Examinar, examinar e examinar, sem deixar nenhuma etapa de fora. Se a criança não colaborar e não for possível fazer o exame de vista completo em uma consulta, o retorno deve ser agendado para concluir a avaliação.
- Seguir direitinho a recomendação do oftalmologista para cuidar da visão na infância (e acompanhar o blog também ). É comum ter dúvidas depois da consulta, porque é difícil estar preparado para um diagnóstico inesperado. Procure uma abertura com o médico para esclarecimentos posteriores, mesmo que ele não disponibilize seu contato pessoal, mas o da secretária.
- E lembre-se de já agendar a próxima consulta no seu celular, no bilhete que fica na geladeira, deixar aquele alerta no seu computador… pois a visão da criança até cerca de sete anos está em desenvolvimento, é preciso ficar de olho!
Sobre o Autor
Acredito que a informação transforma vidas, e assim nasceu este blog: um projeto pessoal, que tornou-me uma pesquisadora incansável sobre visão e aprendizagem. Hoje sou neurorreabilitadora visual e visuopostural. Tenho ambliopia e isto me motiva ainda mais! Estudando o universo da neurovisão, quero ajudar pais, terapeutas e professores com medidas importantes nos cuidados com a saúde ocular, o desenvolvimento visual e a baixa visão na infância. Saiba mais sobre a autora.